Close

July 22, 2013

Diário de Prova – Lagoa de Santo André 2013

 

Sendo esta a sétima prova na minha longa carreira de atleta de baixa competição senti-me no dever de relatar as experiências vividas na cauda do evento.

Em todas as provas que já tinha participado o numero de atletas ascendia aos vários milhares logo era mais fácil passar algo despercebido. Ou seja, aparece sempre alguém a representar com maior vigor a categoria dos pesos pesados.

Na deslocação para o local do evento nas habituais conversas  pré esforço heróico de levar 3 dígitos a percorrer 10Km apercebi-me que estavam apenas perto de 700 atletas inscritos.  De certa forma pensei, é desta que vou levar com o rugir do motor da ambulância a morder-me os calcanhares.

Á chegada do local do evento ainda tive algumas duvidas se estava em Londres e se os jogos olímpicos ainda estavam a decorrer. A concentração de homens e mulheres com aspecto de que correm 10Km a um ritmo alucinante era de tal ordem que se não fosse a magnifica paisagem ficaria baralhado.

LSA2013_02

Como havia também uma caminhada de 5Km que partia 30 minutos antes da prova, ao chegar perto da partida/Meta ainda tive uma réstia de esperança. Afinal ainda vem muita gente e não vai ser muito vergonhoso.

Acontece que o dorsal de quem ia caminhar era diferente e cai na realidade. Isto afinal é tudo malta que vai caminhar, vou ser atropelado…

Lá se deu a partida para a caminhada e então foi a loucura total, toda a gente a aquecer freneticamente. De notar que esses aquecimentos são feitos a um ritmo imensuravelmente superior ao meu de corrida.

Não me vou deixar contagiar… Se me ponho aqui com aquecimentos malucos gasto já os nitros todos e nem consigo acabar a prova. Uns alongamentos, uns saltinhos são mais que suficientes.

Neste momento é onde defino os meus 3 objetivos de prova:

1º E principal – Chegar á Meta.
2º Tempo abaixo de 1 hora e 15 minutos.
3º Marco um participante e decido: Tenho de chegar primeiro que este, defino ali a minha bitola.

FOOOM Partida.

Arranque calmo sem grandes pressas pois ainda estávamos a começar. Fiquei logo lado a lado com o atleta que tinha marcado como bitola. Aparentava ser mais pesado que eu, mas esqueci-me do pormenor que era bem mais alto, logo a passada mesmo lenta provocava uma deslocação significativa. Levei o primeiro Km a conseguir passar a bitola.

Km2
Vislumbro um individuo a coxear parecia aqueles cães quando levam uma panada de um carro e vão aos saltinhos sem por uma pata no chão. A diferença era que este só tinha duas e quando punha a direita no chão só lhe faltava ganir. Vinha lado a lado com o que presumi ser um amigo, ouvi-o dizer o seguinte:

– “Se formos um pouco mais depressa se calhar doí-te menos pois não pões tanto o pé no chão.”

O rapaz estava a acompanhar o amigo mas por aquilo que dizia já estava farto de ir ali a pisar ovos. Nestas coisas não concordo com acompanhamentos em prova, cada um faz a sua. Se os andamentos coincidirem tudo bem, caso contrário cada um vai á sua vida. Acho que o corredor tem de se conseguir concentrar e fazer a sua prova sem muletas humanas. Nestes casos a maior parte das vezes trata-se de malta que vai a fazer um frete para que o amigo/a não desista e chegue á meta.

Km 3.
Lá vinha o Chaiça, já tinha dado a volta e parecia que não punha os pés no chão. Não sei se aquilo é correr ou planar. Além disso ainda vinha a gritar incentivos aos coxos:

– “Vamos lá malta, força, é até ao final !”

Km 4
Grupo de atletas a correr a um ritmo bem elevado e a comer melancia. Mais a frente descobri que estava uma senhora a partir talhadas de melancia e a distribuir pelos participantes.

Km7
Vinha eu “descansadinho” da vida quando oiço uma voz grave e ofegante.

 Ehh Páhh grande peso pesado.
– O Amigo pesa quanto ?  Para ai uns 120Kg ou mais ?
Ao qual lhe respondi:

” Nãaao 102 Pãhh ! ”
– Há! eu agora estou com 90 respondeu o velho ao passar por mim.

Raio do velho ainda o tentei acompanhar com um surto de raiva, mas rapidamente abrandei para não acabar logo ali a prova.

Este momento espero eu, que me tenha marcado para a vida. Pois se quero continuar a praticar este desporto está na hora de me ver livre deste peso de lutador de wresteling.

Km8 e Km9
Estes Foram os mais rápidos segundo a Nike e o seu software.

Os populares que assistiam á prova foram incansáveis aplaudiram efusivamente. Ainda mais quando passam os últimos, pois todos sabemos que são os coxos que necessitam  de mais incentivo.

Passei a meta com os três objetivos cumpridos. Na recolha da camisola a menina simpaticamente perguntou:

– L ou XL ?  Ao qual o senhor que a ajudava responde por mim.
– Então não se vê logo que é XL…

Pensei eu, por acaso a L até deve caber mas devo ficar parecido com aqueles leitões amestrados do circo que vestem camisolinhas justas.

LSA2013_01Companheiros de partida…

Na classe de veteranos I, fiquei num espectacular 4º lugar a contar do FIM.
O atleta que marquei ao inicio foi o dorsal 246 que obteve o 3º lugar no pódio dos últimos.

Dorsal Veterano I 35 aos 40 Idade Equipa Tempo Sexo Posição
127 CARLOS GUERREIRO 35  INDIVIDUAL  1:06:34  M
246  RENATO J PENAS 36  GDC  1:08:29  M
432  PEDRO LINO 36  INDIVIDUAL  1:11:46  M
564  CARLOS ANTONIO 37  INDIVIDUAL  1:15:38  M

Período pós prova em jantar de família são traçados os objectivos para o ano que vêm, com direito a castigo se não forem cumpridos.

“Para o ano vou fazer abaixo dos 50 minutos! E se não conseguir enfio o pé direito num balde com bosta !”

Bem para este tempo nos 10Km tenho de treinar com regularidade e retirar uns 20kg do lombo. Temos um ano de trabalho duro pela frente.

Lagoa de Santo André até para o ano…